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    @nickelnoisy Valeu pelo RT do Lexical Approach ;) Have a great Friday \0/

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    @Alexandra_And Obrigada pelos RTs =D Have an awesome Friday ^__^

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    Vc conhece o Google a Day? Ótimo jogo pra estimular a pesquisa na web na escola http://t.co/Syo1Fa3y http://t.co/KrgxnWlI

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    Professores de língua inglesa: vcs sabem o que é Lexical Approach? Leiam agora na coluna de @DenilsodeLima http://t.co/nxWeJd0l

    Qui, 17 de Maio de 2012 01:56

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    Já assistiu ao filme "Bad teacher"? Ótima resenha crítica sobre a profissão de educador http://t.co/r2WFpWmU #filme #educação #sala

    Qui, 17 de Maio de 2012 01:13

Linguagem & Sociedade

Tiago Nascimento de Carvalho é brasiliense, professor de literatura do ensino médio e superior em Brasília, mestre em Teoria Literária pela Universidade de Brasília, e doutorando em Estudos Clássicos na Universidade de Coimbra em Portugal.
 

“passei a viver errante por terras estranhas,
exilado, como um mendigo...”
(Fala de Édipo)[1]

O último filme de Woody Allen, “Meia-noite em Paris” é uma peça rara e bela sobre a beleza do outro lugar, neste caso Paris, mas não a beleza turística pura e simplesmente, e sim a beleza histórica de um lugar que se construiu ao longo da história para ser belo e charmoso, ou bela e charmosa.

A questão do outro lugar é sempre interessante pelo que trás de inusitado, diferente, de agregação cultural, de comparação das cidades, das arquiteturas, dos acervos, dos monumentos e do monumentalismo, das praças públicas,  da organização social, de tantas coisas em que a relação entre o lugar e a sua gente passa como o cartão de visitas para observarmos e lembrarmos as diferenças entre as nações e as sociedades.

O filme tem uma personagem que dentre as suas várias obsessões (o que é típico das personagens neuróticas do cineasta) volta e meia se pergunta, na capital francesa, se a pessoa a que ele se dirige fala inglês; ele vem dos EUA, sabe que o inglês é a língua comercial-universal, contudo ele enfrenta as múltiplas reações, desde os que falam inglês e se comunicam com ele e a variação dos sotaques, como também os xenófobos, que não perderiam tempo falando uma outra língua que não a francesa, pelo seu glamour e potência cultural.

Diferente de nós brasileiros que estamos preocupados em aprender outras línguas para irmos ao país visitado e gerarmos um processo de comunicação mínima, como também ambicionamos o reconhecimento intelectual pela “poliglotia”, o homem de língua inglesa parece esperar que encontre sempre o caráter universal e comercial do inglês no mundo. Claro que este enfoque da língua quer levar a outro lugar. Que outro lugar é este? O problema das diferenças culturais e étnicas e sua vocação para gerar conflitos irreversíveis, mesmo depois de milênios de problemas produzidos por um povo ainda constituir no seio de sua identidade sórdida idéia de superioridade?!

A cena do mês, então, é a deste rapaz norueguês, e sua manifestação selvagem, quer pela compilação e discurso na internet, quer pela ação hedionda em seu país, sugerindo que há um valor diferente das raças e dos povos, que a hierarquia entre os modelos humanos, por cor, crença, tipo de sociedade. E a pergunta está no paradoxo, de como alguém constitui a barbárie em defesa da civilização perfeita?! Dois conceitos tão impossíveis, quanto as explicações do manifestante e terrorista de ultra-direita que não teve nenhum cuidado em refletir ou sentir algo que evitasse a morte das mais de setenta pessoas, entre a explosão provocada em Oslo e os assassinatos sumários no acampamento da juventude onde ele entrou atirando.

Parei, então, para pensar, eu, como brasileiro, será que sou diferente mesmo e há alguma razão para uma maluquice, venha ela de um mulçumano radical, venha ela de um conservador ocidental radical? Sou inferior, por que não professo a fé de Alá, ou sou inferior por não ser ariano? Estas perguntas são somente o exercício de uma constatação, principalmente, agora em que mais uma vez a economia começa a atingir os impérios, atingiu o império ultrapassado, a Grécia, e atinge agora o império moderno, os EUA. A constatação é:  Não há seres diferentes. Ora, perguntar-me-iam: Então para que ficar repetindo que não há seres diferentes, se o mundo trilha institucionalmente na base elementar dos direitos humanos, de que não há seres diferentes? É que institucionalmente reprovamos atitudes que tentam desigualar os seres, e hierarquizar povos e línguas, mas ainda estamos longe de que o institucional se torne uma prática em que o sentimento da diferença, ocorra sim pela percepção de que são muitas as cores, as línguas, os modos, mas nada disso diferencia o homem como ser da vida e da morte. E como não praticamos isto, vale lembrar o tempo todo o óbvio, que já é tão óbvio, pois as práticas sectárias agora são reveladas ou no intempestivo e inesperado de ações produzidas por psicopatas de plantão, insegurança ao léu, ou são produzidas por outros psicopatas maquiavélicos, estes membros e líderes institucionais que imaginamos defendendo os direitos iguais entre os humanos, enquanto estão estimulando a diferença para reter poder e perpetuação de poucos. 

Causa ainda espanto ao mundo qualquer cena de barbárie que atinja a população mais ilustrada e rica, ou o povo mais consagrado pelo nível de civilização naquilo que se denominou civilização pelo ocidente, contudo é preciso lembrar que este espanto está no quintal de nossa casa, está na nossa cidade, se encontra nas diferenças que fazemos entre as regiões no nosso país e nas práticas diuturnas da nossa vida urbana e social, logo não somos diferentes mesmo dos noruegueses, nem por que alguns deles possam achar que a nossa miscibilidade é o que provoca o nosso ainda baixo índice de desenvolvimento humano, eles estão enganados, como também estamos enganados quando achamos que somos o povo mais feliz do mundo.



[1]
SÓFOCLES. Trilogia tebana. (tradução de Mário da Gama Kury). Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2002, pág. 127. Este trecho foi extraído da terceira tragédia da trilogia Édipo em Colono e atenta para o fenômeno do banimento da própria pátria e o medo diante da terra estrangeira, ou fará o homem encontrar um exílio que é o próprio inferno final, ou fará o homem encontrar a hospitalidade e a generosidade do estrangeiro que mesmo sem ter obrigações morais ou universais cede a terra, a morada, o espaço de recondução da vida.

Comentários 

 
+1 # Mestre em EducaçãoAlessandro E Braga 15-08-2011 09:47
Querido Amigo Tiago,

uma reflexão madura, honesta e muito apurada acerca das semelhanças entre os seres humanos, divididos por seus vários rótulos, sejam esses impostos a cada um ou assumidos individualmente por escolha. Sua estréia na coluna não poderia ser melhor. Deixo um abraço fraterno,

Alessandro
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+1 # PsicopedagogaMarlise 15-08-2011 23:30
Feliz escolha fez a Prof. Leila. Ela convidou a pessoa certa para entrar na sala.
O comentário foi pertinente para a reflexão dos que se sentem melhores ou superiores a outros.
Parabéns! Que Deus continue te dando sabedoria e disposição, para continuar contribuindo para que essa nação tenha seres humanos melhores.
Marlise
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