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    @nickelnoisy Valeu pelo RT do Lexical Approach ;) Have a great Friday \0/

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    @Alexandra_And Obrigada pelos RTs =D Have an awesome Friday ^__^

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    Vc conhece o Google a Day? Ótimo jogo pra estimular a pesquisa na web na escola http://t.co/Syo1Fa3y http://t.co/KrgxnWlI

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    Professores de língua inglesa: vcs sabem o que é Lexical Approach? Leiam agora na coluna de @DenilsodeLima http://t.co/nxWeJd0l

    Qui, 17 de Maio de 2012 01:56

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    Já assistiu ao filme "Bad teacher"? Ótima resenha crítica sobre a profissão de educador http://t.co/r2WFpWmU #filme #educação #sala

    Qui, 17 de Maio de 2012 01:13

Linguagem & Sociedade

Tiago Nascimento de Carvalho é brasiliense, professor de literatura do ensino médio e superior em Brasília, mestre em Teoria Literária pela Universidade de Brasília, e doutorando em Estudos Clássicos na Universidade de Coimbra em Portugal.
 

Esta semana um aluno de ensino médio, num tom irônico, perguntou-me isto: “Professor, agora podemos receber dinheiro sujo em grande quantia, sermos filmados, as cenas chegarem ao conhecimento de todos e não somos por isso considerado corruptos?”. Todos perceberam que o mesmo se referia à absolvição da deputada federal Jaqueline Roriz e que ao mesmo tempo o aluno sentia a necessidade de incitar o debate, num misto de indignação e vergonha justas. Procurei não podar, inclusive deixei a discussão avançar um pouco e tentei mediar para que fôssemos além da “malhação do Judas”, mesmo sentido a necessidade que este Judas fosse malhado ainda muitas vezes e pudesse considerar uma possibilidade de percepção da calamidade do fato tanto para a sociedade brasiliense quanto para a brasileira e um dia o país pudesse evidentemente melhorar no que concerne aos padrões de trato com a coisa pública, que hoje nos coloca nos piores índices mundiais relativos à corrupção e a qualidade da nossa política.

Então, era preciso avançar no debate e levar estes alunos a um nível mais profundo de reflexão e da tentativa em construir a idéia de uma práxis que fosse superior ao grito dos indignados e que não desse tanta publicidade a quem não a merece, como é o caso desta senhora, que agora nos serviria de exemplo para discutir a grave questão dos costumes marcados pela prática de uma sociedade, que às vezes se constroem na seara dos modismos, porém em outras vezes perpetua um modelo que se enraíza e incorpora de forma orgânica na história e demora a ser retirado como um cancro que, quando extirpado, extirpa o organismo junto.

Estas práticas justificam valores morais perenes, há aqui de se considerar que a grande meta nunca é o moralismo, mas que uma sociedade baseada numa ética efêmera em que não se percebe o valor coletivo que justifica a convivência e a hospitalidade pode destruir esta mesma coletividade, ora pelo belicismo transformando vivos em mortos, ora pelas crises morais formando uma sociedade de vivos-mortos.

O que há, então, de tão perigoso e duradouro no campo dos costumes sociais que pode ficar marcado ao ponto de colocar em jogo gerações e gerações de pessoas? Eu disse aos alunos sobre o maior risco da indignação que alguns deles demonstravam estar muitas vezes na incapacidade de perceber a falibilidade humana e o quão próximos todos nós estamos de um padrão corruptível mediano, e sendo a distância, pequena demais, entre o corrupto de ofício e o vigilante constante, o que não justifica esboçar a idéia de todos sermos “farinha do mesmo saco”, e de realmente ficarmos cada vez mais satisfeitos conosco, quando percebemos a nossa luta diária por um padrão aceitável de honestidade capaz de nos diferenciar das figuras abjetas de alguns políticos brasileiros, que já não mais diferenciam o público do privado. Logo, o exemplo da senhora Jaqueline Roriz é mesmo a marca de tudo o que não queremos nem precisamos ver ou ser.

Soa hipocrisia querer mostrar-se vestal da ética, contudo um debate bem feito na escola e na família e a demonstração do evento ocorrido podem ser capaz de ao invés de reafirmar a condição de que vivemos num lugar onde a esperteza e o senso de oportunidade política são mais importantes apresentar uma nova possibilidade na construção de uma sociedade baseada no saber e na força de sua capacidade de trabalho, para que não precisemos criar tarefas seculares de combate a corrupção explícita e possamos unir forças para demonstrar que a outro nível de diferença provocada pelo abismo entre os que tem mais e os que tem menos no mundo.

O costume marcado é aquele constituído de uma natureza própria de assimilação social não pretendido, nem programado, contudo evidenciado e fincado nas raízes de um fazer cotidiano em que a sua repetição chega até a incorporação nos valores da educação familiar e penetrando e modificando a lógica deste sistema familiar, ao passo que o que antes era a força do uso, agora é lei entre as pessoas daquela comunidade. Veja o nosso exercício intelectual ao longo dos últimos dois séculos que fez a vangloria romântica da malandragem e estabeleceu o princípio do “levar vantagem” como a forma mais singular em enxergar o homem brasileiro, assim como o aprendizado diuturno sobre o “jeitinho” a ser dado para todas as coisas. É possível que possamos ser melhores que isto?

A resposta é o discurso de defesa da deputada como uma importante peça de retórica falsa, envolvendo emocionalismo e justificativas de oratória de defesa no direito que dão exatamente o sentido para entendermos que este perigo é esta durabilidade de uma forma tão distante da ética mínima precisam ser combatidos; nele ela repete em tom pouco crível, mas melancólico no sentido da comparação entre as pessoas públicas como ela e as demais pessoas comuns, sobre interesses outros de poder nesta história de envolvê-la num esquema inexistente de corrupção e em perseguição da mídia e de adversários políticos, como se contra fotos e vídeos e não fatos fossem possíveis argumentos outros. Na contramão deste desrespeito a sociedade de Brasília e do Brasil, quanto a seus atos abomináveis de corrupção e num exemplo outro que não o da câmara dos deputados, instituição que se acovardou na melhor das hipóteses, ou se alinhou em sua maioria por práticas minimamente parecidas, vão aqui alguns versos de Maiakovski que podem nos oferecer um caminho para o combate a este maior mal político do país: a corrupção, que precisa ser combatido por uma constante mistura de educação, esperança e utopia, como um tipo de luz que se acende a cada momento em que o espírito ganancioso quer subjugar a todos a mesmice da sorte para uns e da miséria para outros, que o poeta russo simbolizou esta esperança e este grito na imagem da estrela:

ESTRELA¹

Escutai! Se as estrelas se acendem
será por que alguém precisa delas?
Por que alguém as quer lá em cima?
Será que alguém por elas clama,
por essas cuspidelas de pérolas?
Ei-lo aqui, pois, sufocado, ao meio-dia,
no coração dos turbilhões de poeira;
ei-lo, pois, que corre para o bom Deus,
temendo chegar atrasado,
e que lhe beija chorando
a mão fibrosa.
Implora! Precisa absolutamente
duma estrela lá no alto!
Jura! Que não poderia mais suportar
essa tortura de um céu sem estrelas!
Depois vai-se embora,
atormentado, mas bancando o gaiato
e diz a alguém que passa:
"Muito bem! Assim está melhor agora, não é?
Não tens mais medo, hein?”

Escutai, pois! Se as estrelas se acendem
é porque alguém precisa delas.
É porque, em verdade, é indispensável
que sobre todos os tetos, cada noite,
uma única estrela, pelo menos, se alumie.

(Tradução E. Carrera Guerra)

 

¹ MAIAKÓVSKI, Vladimir. Vida e poesia. São Paulo, Martin Claret, 2007, pág. 59.
 

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