Sex, 26 de Novembro de 2010 14:25
O estudo que propomos executar foi uma pesquisa-ação, desenvolvida em nossa realidade escolar. Buscamos nos subsidiar em um arcabouço teórico para fazer as discussões nos temas que abordamos em nosso estudo como: o uso das novas tecnologias na educação, o uso do blog e a aprendizagem colaborativa. E ao final pudemos fazer uma discussão na nossa analise dos dados, já que nossa pesquisa foi executada em uma turma de 1º ano do Ensino Médio, com o propósito de aplicar a aprendizagem colaborativa juntamente com o uso de novas tecnologias, no ensino de língua espanhola.
As discussões a nós apresentadas neste século XXI envolvem uma gama de informações a respeito da tecnologia e da informação, em especial por vivermos em uma sociedade literalmente tecnológica, por isso não seria diferente no campo educacional. A par dessas transformações oriundas da globalização, a EAD (Educação a Distância) surge para atender as necessidades do homem em um modelo de educação, no qual corrobora com inúmeros fatores tecnológicos, pois se mostra como uma ferramenta eficaz e segura para a formação educacional e profissional, a qual conta também com todos os deveres e direitos de um curso totalmente presencial.
O uso das ferramentas tecnológicas (com mediação pedagógica) vem nos auxiliar no processo de ensino-aprendizagem, proporcionando aos nossos alunos se envolverem na construção de seu próprio aprendizado e de sua autonomia. Com todos esses avanços nós professores vivemos numa década em que somos envoltos por um “aprendizado técnico docente”, segundo Kenski (2006), e isso é necessário, pois não podemos ficar presos no tradicionalismo enquanto nossos alunos são pertencentes a comunidades distintas, como é o caso das virtuais.
A tecnologia é uma ferramenta de aprendizagem, em que de forma on-line tem feito surgir salas de aula virtuais, onde para que possa acontecer uma aprendizagem ativa é necessário acontecer uma interação dos membros do grupo. O indivíduo interage melhor após conhecer o outro; e como isso não se dá face-a-face é indispensável que haja um espaço para as apresentações de cada um. Tomemos por referência um blogue (diário virtual), no qual é registrada a vida pessoal e as atividades diárias do participante. Quando conhecemos o outro, a interação se dá de forma mais significativa, como foi constatado nos estudos de Pallof & Pratt (2002, p.60), “o contato virtual oferece muitas vantagens para os tímidos, que podem, pelo uso do computador, interagir com as pessoas sem ter de enfrentar as dificuldades do contato físico ou visual”.
As discussões da utilização das Novas Tecnologias expressam a comunicação eletrônica como meio de aprendizagem e quem faz acontecer esse processo são os indivíduos componentes do grupo, os quais têm um papel participativo na sala de aula eletrônica. E a par desse construto, temos fatores comuns que fazem parte desse aprendizado, que são a escola e o professor, os quais auxiliam o aluno no processo de ensino-aprendizagem.
Essas Novas Tecnologias aplicadas no meio educacional para os devidos fins educativos nos mostram que o conhecimento é trabalhado com fins e objetivos distintos. Isto deve ser observado, pois existem vários fatores que podem não corroborar para um bom desempenho da aplicabilidade destas Novas Tecnologiasem prol de um ensino de qualidade e o aprendizado do nosso aluno. Assim, centramos o foco no professor e sabemos que a maioria ainda não desenvolveu uma alfabetização tecnológica.
De acordo com Rodrigues (1992) apud Leite & Sampaio (2002, p. 58), “o processo de alfabetização altera o perfil social do homem, transformando-o em um ser político e participativo”. Nessa formação do homem é que visamos à alfabetização tecnológica do professor, pois ele tem que atuar como um ser político dotado de conceitos e metodologias em sua vida cotidiana, seja na escola ou na sociedade, como um ser participativo colaborando para um processo de aprendizagem de seus alunos voltado para a realidade.
A partir das discussões ocorridas, observamos uma síntese do que venha ser a educação tecnológica:
(...) a alfabetização tecnológica do professor como um conceito envolve o domínio contínuo e crescente das tecnologias que estão na escola e na sociedade, mediante o relacionamento crítico com elas. Este domínio se traduz em uma percepção global do papel das tecnologias na organização do mundo atual e na capacidade do professor em lidar com as diversas tecnologias, interpretando sua linguagem e criando novas formas de expressão, além de distinguir como, quando e por que são importantes e devem ser utilizadas no processo educativo. (LEITE; SAMPAIO, 2002, p. 75).
Essa conceituação apresentada pelas autoras vem ao encontro de nossas necessidades como professor, pois às vezes não sabemos como, quando e por que utilizamos esses meios tecnológicos Necessitamos mais que nunca de uma formação contínua, de sermos alfabetizados na tecnologia, pois a velocidade com que essas inovações vêm surgindo não tem como estarmos “antenados” apenas nas meras tecnologias que já conhecemos e dominamos no nosso cotidiano escolar (giz, quadro, TV/DVD, etc.). Com isso esperamos poder contribuir para uma educação que faça o nosso aluno ser um ser crítico, político e participativo na construção de uma sociedade para todos.
Diversas são discussões trazidas pelos pesquisadores que abordam os estudos referentes às Novas Tecnologias e educação, em especial no processo de ensino-aprendizagem desse novo educando. No caso, Masetto (2000) expõe como fundamental a auto-aprendizagem em que o aluno constrói o conhecimento junto com o outro, podendo este ser o professor ou outro aluno (aprendizagem colaborativa), e a inter-aprendizagem que o aluno por si só elabora o seu próprio conhecimento, tendo ele uma autonomia em seu processo de ensino-aprendizagem.
As definições relativas à aprendizagem colaborativa são vastas, mas em nossos estudos, fazemos referência em Figueiredo (2006). Valendo ressaltar que alguns estudiosos buscam a aprendizagem cooperativa que não vem ao nosso caso neste momento, pois segundo Figueiredo (2006) essa aprendizagem é centrada no produto e não processo, porém ainda define que ambas favorecem a interação e autonomia do aprendiz.
Em nossos estudos duas situações importantes são observadas em Figueiredo (2006), uma delas é a importância que o professor tem perante a aprendizagem colaborativa, a de papel de mediador, colaborador de um apoio cognitivo afetivo para o aluno. A outra é a aprendizagem colaborativa no meio virtual, pois segundo o autor, a interação mediada pelo computador é uma forma a mais de socialização. Além do que já observamos em Kenski (2006), Marcuschi (2005) e Masetto (2000) sobre os caminhos para a produção linguística (os gêneros e a linguagem) e o aprendizado, que pode desencadear na inter-aprendizagem e na auto-aprendizagem do educando, Figueiredo (2006) complementa que:
algumas vantagens do meio eletrônico são, por exemplo, o rompimento de limitações espaciais e temporais, propiciando o acesso a um grande número de participantes para interagir, o que faz com que a aprendizagem seja favorecida pelas trocas interacionais e pela colaboração entre os participantes. (FIGUEIREDO, 2006, p. 28).
Todo esse processo de aprendizagem colaborativa nos remete que o aprendizado pode acontecer de forma prazerosa e que nem sempre necessita ser em sala de aula.
Com o propósito de criar um espaço no qual os nossos alunos pudessem aprender de forma prazerosa, registrar os acontecimentos desse aprendizado e também observar o que outro estava produzindo, fomos ao encontro do processo ensino-aprendizagem com o uso do blogue como uma mediação pedagógica.
Nesse contexto Oliveira & Cardoso (2009) ressaltam o uso do computador e da Internet como meios pedagógicos que levam ao aprendizado de uma Língua Estrangeira, e no decorrer do uso dessas tecnologias na sala de aula dá ao aluno um aprendizado significativo sem constrangimentos. Os subsídios de nosso trabalho foram pautados em algumas literaturas que trazem o uso do blogue como uma ferramenta de aprendizagem, bem como a sua definição.
O blog é um espaço de interação que possibilita a construção coletiva do conhecimento, visto que o aluno/professor poderá postar textos que serão lidos e comentados pelos demais participantes do curso. Nada mais é do que uma página da web onde os posts (textos) são apresentados em ordem cronológica inversa. (SILVA; CAVALCANTE, 2009, p. 7-8, grifo do autor).
A partir desta definição de blogue é que os objetivos de nossa pesquisa foram embasados, pois necessitávamos utilizar uma interação que levaria à construção coletiva de um conhecimento por um grupo de educandos sob a observação do professor (neste caso, eu era o professor).
O uso do blogue nos proporcionou chegar a considerações de que através do novo, do diferente, é possível sim acontecer o aprendizado e ainda mais, através da interação ocorrer o desenvolvimento do educando, a fim de abrir caminhos para outros aprendizados.
A aprendizagem colaborativa foi a abordagem a qual submetemos a execução de nossas atividades e que, de acordo com Figueiredo (2006, p. 23), “na sala de aula em que se adota uma perspectiva colaborativa os alunos tornam-se participantes ativos no processo aprendizagem. Eles têm a oportunidade de aprender com os colegas e de ensinar-lhes.”, isso é que fez de nosso trabalho, algo relevante e significativo, pois levamos o nosso educando através do uso das Novas Tecnologias por meio da aprendizagem colaborativa à autonomia do aprendizado.
Cleber Cezar Silva[1]
Referências
FIGUEIREDO, F. J. Q. A aprendizagem colaborativa de línguas: algumas considerações conceituais e terminológicas. In: ______ (org). A aprendizagem colaborativa. Goiânia: Ed. da UFG, 2006, p. 11-45.
KENSKI, V. M. Tecnologias e ensino presencial e a distância. 3. ed. Campinas: Papirus. 2006.
LEITE, L. S.; SAMPAIO, M. N. Alfabetização tecnológica do professor. In: ______ . Alfabetização tecnológica do professor. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2002, p.51-76.
MARCUSCHI, L.A. Gêneros textuais emergentes no contexto da tecnologia digital. In: ______; XAVIER, A.C. (orgs.). Hipertexto e gêneros digitais: novas formas de construção do sentido. 2. ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005, p. 13-67.
MASETTO, M. T. Mediação pedagógica e o uso da tecnologia. In: MORAN, J. M.; MASETTO, M. T.; BEHRENS, M. A. (orgs). Novas Tecnologias e mediação pedagógica. Campinas, SP: Papirus, 2000, p. 133-173.
OLIVEIRA, A. S.; CARDOSO, E. L. Novas perspectivas no ensino da língua inglesa: blogues e podcasts. Educação, Formação & Tecnologias, v. 2 (1); p. 87-101, 2009. Disponível em: <eft.educom.pt/index.php/eft/index>. Acesso em: 09 jun. 2010.
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Comentários
Ficou muito bom parabéns Cleber
Muitíssimo obrigado por ter sido meu educador nesses anos, aprendi bastante com você, e peço a Deus que ilumine seu caminho e te abençõe para que você conquiste todos seus sonhos e metas.
Conte sempre comigo, pro que der e vier.
Um grande abraço, Eric .
Pelo demais, parabéns!