Seg, 19 de Julho de 2010 22:12
Precious, como é conhecida, é uma aluna analfabeta, que senta no fundo da sala de aula e que consegue passar de ano por seu “bom comportamento”. Ela NUNCA fala em sala.
Precious também é uma aluna que sofre de bullying, mas a escola não faz nada a respeito. Na verdade, como o filme se passa no final da década de 1980, esse assunto de bullying não era visto da maneira que é mostrado atualmente.
A protagonista não é percebida na escola, não há ninguém na instituição que se interessa por sua história, não há interesse sobre o porquê ela é tão calada e ao mesmo tempo tão agressiva quando tentam falar com ela. Afinal, ela está no “fundo” da sala de aula, não é necessário prestar atenção, certo?
Apesar dessa agressividade e falta de interesse durante as aulas, Precious é uma aluna como todas as outras, tem sonhos e vive imaginando uma realidade alternativa, na qual os seus sonhos tornam-se realidade e ela é feliz.
Certo dia, a diretora da escola finalmente descobre parte da história de Precious e a chama em sua sala:
“Precious, você está grávida do seu segundo filho e só tem 16 anos! Como isso aconteceu?”
Esse é o momento mais forte da história em minha opinião. Apesar de Precious não responder a diretora, ela começa a relembrar as cenas dos abusos sexuais de seu pai, dos quais nasceu uma menina com Síndrome de Down e está grávida de outra criança. Ao fundo mostra a mãe de Precious vendo tudo.
A mãe de Precious é uma personagem a parte dessa história. A atriz não ganhou o Globo de Ouro à toa. A mãe de Precious é uma desempregada que ganha auxílio da Assistência Social que era destinado à filha e à neta. Não gosta de ver a filha indo para a escola porque ela acredita que estudo não ajuda pessoas negras e pobres. Também abusa física e emocionalmente da filha exigindo que ela cozinhe todos os dias para ela e forçando-a a comer sem parar, além, é claro, de acusá-la de “roubar seu homem” a ter que admitir que a filha fora estuprada pelo próprio pai.
Sem se preocupar sobre os motivos de uma segunda gravidez dessa aluna, a diretora da escola resolve transferir Precious para uma escola alternativa, que em outras palavras, era uma escola para estudantes, os quais a instituição julgava incapazes de conviver com os outros alunos, ou seja, uma escola para “alunos problemas”.
Nesta escola alternativa, Precious descobre seu caminho, encontra uma professora que alimenta a sua auto-estima por meio de diários dialogados. Precious, pela primeira vez, fala em sala de aula e começa a descobrir o poder da comunicação e do conhecimento. Desta maneira, Precious começa a se sentir parte do mundo.
Todo o filme é envolto em desespero e obstáculos, mas que ainda assim encoraja os melhores aspectos da natureza humana, especialmente o poder da educação, mostrando o papel do professor ainda como um diferencial para a compreensão dos conhecimentos adquiridos.
Precious é um filme para reflexão sobre o nosso papel de educador, principalmente sobre os nossos olhares para os aprendizes com dificuldades ou ainda para aqueles que, aparentemente, são alunos causadores de indisciplina e irresponsabilidade na classe.
É um filme que instiga os educadores (os de verdade!) a reavaliarem suas posturas e atitudes no ambiente escolar. Entende que não somos psicólogos ou assistentes sociais, mas que precisamos compreender o universo das angústias e desesperanças do nosso aprendente.
Precious é um alerta sobre nossa desatenção as preciosidades que temos em sala de aula, pois não é fácil percebê-las quando ainda são diamantes brutos, mas que sem dúvida, precisam de alguém para lapidá-los.
Identificação do filme: Precious (2009) – baseado no livro “Push” de Sapphire
Elenco: Mo’nique, Paula Patton, Mariah Carey, Lenny Kravitz e Gabourey Sibide
Autor/Diretor: Lee Daniels
Censura: 16 anos
Outros: 6 indicações ao Oscar
Fonte da imagem: googleimage.com



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