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Como conseqüência da relação de poder que há entre professor e alunos e das representação do professor como detentor de conhecimento absoluto e inquestionável, por algum tempo as pesquisas, que buscavam organizar um corpo de conhecimento que explicasse e pudesse trazer contribuições para a aprendizagem, foram direcionadas mais para a descrição e compreensão do papel do professor do que para a do aprendiz/adquiridorde línguas, como se afirmasse uma relação lógica simples e direta em que todo ensino gera como produto final uma aprendizagem equivalente.

O papel do aluno como agente participativo na tarefa de aquisição de nova língua, atualmente, têm se apresentado como caminho promissor para o encontro de novas formas de compreensão do processo de ensinar e aprender/adquirir línguas. Assim como se reconfiguraram as exigências relacionadas ao professor de línguas (Almeida Filho, 2009), também se modificaram as expectativas sobre os que buscam aquisição de línguas (aprendizes/adquiridores) na contemporaneidade. Sobre o essas expectativas do aprendiz, traçaremos um perfil do que se requer nos dias de hoje.

Assim como os professores, os adquiridores ou aprendizes também possuem um conjunto de disposições, conhecimentos, crenças, pressupostos que os orientam na aquisição ou aprendizagem de uma língua (Almeida Filho, 1997).

Para que as exposições à língua – com oportunidades de ouvir, compreender, refletir, criar e negociar comunicativamente – tenham o seu potencial de aproveitamento maximizado, espera-se que este negociador da comunicação seja consciente das implicações dos pressupostos filosóficos e conhecimentos que possui ou que espera sobre ensino, aquisição/aprendizagem, língua e linguagem. Logo, ele será capaz de manipular ou adaptar certos componentes das competências necessárias à aquisição/aprendizagem.

Como características que se espera ter nos atuais adquiridores/aprendizes de línguas, podemos listar:

  1. consciência do processo de aquisição/aprendizagem;
  2. crescente autonomia;
  3. caráter comunicacional.

Uma vez que nos dispomos a adquirir/aprender uma língua tendo como meta a busca da comunicação em seus vários níveis, o caráter comunicacional se torna um imperativo para o sucesso dos nossos objetivos. A comunicação se dará como começo, meio e fim de tudo o que fizermos, o que significa menos necessidade de estudo sistematizado e rotinizante da língua e mais comunicação real. Logo, é necessária a consciência de que existe um processo dinâmico nessa aquisição/aprendizagem e que, a depender de nossa percepção, poderemos manipular, adaptar, reorganizar nossas atitudes, disposições para potencializar o aproveitamento.

A partir do desejo, da vontade, da disposição e da tomada de consciência do processo e de sua abordagem, espera-se que o adquiridor/aprendiz busque uma crescente autonomia, que lhe permitirá compreender que a peça principal nesse processo é ele e a língua que se apropria, que buscam ser uma coisa só.

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1 Para Krashen (1982, apud Moura, 2005), a aprendizagem refere-se ao estudo sistematizado das regras de uma língua, sendo processo consciente. Já a aquisição refere-se à assimilação natural das regras de uma língua.


Referências

ALMEIDA FILHO, J.C.P. de. (Org.) Parâmetros Atuais para o Ensino de Português Língua Estrangeira. Campinas, SP: Pontes, 1997.

_________. O que se requer dos professores de línguas. Universidade de Brasília, 2009.

Moura, G.A.de M. A hominização da linguagem dos professores de LE: da prática funcional à práxis comunicacional. Brasília, 2005. Dissertação de Mestrado – Universidade de Brasília.

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