Tudo na vida precisa de planejamento. Pensa e repensa nos detalhes do casamento. Depois vem a questão dos filhos. Quantos, quando, os nomes, a cor do quarto do bebê… Ora, se se planeja tudo isso, por que não planejar aspectos sobre a educação?

Tudo na vida precisa de planejamento.Para ir ao supermercado, você faz uma lista do que precisa para a semana ou o mês todo. Para construir uma casa desenha uma planta, com o número de quartos, salas, e com o tamanho de cozinha e banheiro que você sempre sonhou. Pensa (www.sala.org.br) e repensa nos detalhes do casamento. Quem vai ser o fotógrafo, onde será a cerimônia, como vai ser o vestido, onde será a lua de mel.

Depois vem a questão dos filhos. Quantos, quando, os nomes, a cor do quarto do bebê… até a escola, a faculdade e o time de futebol estão nos planos dos pais.
Ora, se se planeja tudo isso, por que não planejar aspectos sobre a educação desta criança? Especificamente, por que não planejar que o bilinguismo faça parte da vida desta criança?

Observando famílias, me dou conta de que se os pais não estiverem de alguma forma preparados para os desafios que virão, terão que improvisar, e certamente acabarão fazendo coisas, e deixando outras acontecerem, que lhes trarão arrependimento. Em se tratando de crianças, muito acontece em bem pouco tempo. Quando os pais se dão conta, já passou, já cresceram.

Acredito que o bilinguismo deva entrar em prévias discussões como, vamos dar ou não palmadas, vamos levar ou não à igreja, vamos ser ou não vegetarianos. E que deva ser algo que, primeiro junto aos pais, e depois aos avós, tios e primos, todos entendam que por motivos x, y, z aquele pequeno ser, que ainda nem nasceu, falará, também, português.

Mais do que nunca, os futuros pais tem acesso aos benefícios do bilinguismo, assim como dos desafios que a maré do contra certamente trará. Mas, se tão claramente se decide não vou bater, não vou levar à igreja e seremos vegetarianos, e realmente se cumpre, por que não “stick to” falar português? E por que não previamente englobar nessa antecipação as desvantagens do pai ou da mãe que não fala português?

Essa é uma de minhas maiores crenças – se eu envolver meu marido em minhas raízes, cozinhar a comida com a qual cresci, contar as histórias e cantar as músicas que ouvi, intermediar a amizade dele com meus familiares, e ensinar nem que seja o básico do português, ele vai me entender melhor, entender meus motivos e me apoiar no “falar português” que quero desenvolver com meus filhos.

Nós ainda não temos filhos, mas ele já ama música brasileira, já foi ao Brasil muitas vezes, e pode conversar fluentemente com minha mãe e irmãs, porque ele fala português. Ele inclusive entende melhor, e pode me ajudar mais facilmente em minhas “gafes” no inglês. É porque agora ele também entende a estrutura da minha língua materna, da qual inevitavelmente acabo traduzindo. E isso nos aproxima.

Não só ficou decidido por nós que não bateremos em nossos filhos e que mostraremos a eles uma visão sempre global sobre o mundo, mas que falaremos em casa português e alemão, e na escola, inglês. E você, tem planejado como funcionará a dinâmica bilíngue de sua casa? Com certeza, ainda dá tempo.

Felicia Jennings-Winterle
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Mestre em educação e cognição e trabalha junto à comunidade brasileira nos EUA promovendo e incentivando a língua e cultura do Brasil. Morando por lá há anos, ela tem lutado para que o português nosso de cada dia seja parte da identidade de brasileiros e brasileirinhos.

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